Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
A Bíblia Natalícia.
Já tenho o catálogo de brinquedos da Toys' R' Us. Em Campo de Ourique ainda ninguém recebeu mas o meu primo, que tem 5 anos e vive no Lumiar, deixou cá este para vermos o que ele quer para o Natal. Assim sendo, aproveito para assinalar também o que eu quero. Estou fortemente inclinado para o Barco Corsário da Playmobil, se bem que gosto bastante do quartel de bombeiros da Lego. Gostei de reparar que, ao contrário do que seria de esperar, o catálogo não traz o Magalhães. É menos uma instituição a ser conspurcada pelas modernices. Valha-nos isso.


publicado por Luís Franco-Bastos às 21:22
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Liberdade de expressão.
"Luis Franco-Bastos 
DEVI MORIRE DIHANE 
FIGLIO DI PUTTANA 
FIGLIO DI TROIA LECCA CAZZI MUORIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII 
STRONZO
E QUEL DEMENTE CHE LI METTE ACCIDENTI ANCHE A TO MA"
 
Foi o comentário que um user fez a um sketch meu sobre o Miguel Veloso. Não estava a perceber o porquê de tanta raiva, até ir ver o perfil dele. Tendo em conta que o autor do comentário ama o Miguel Veloso ao ponto de fazer um vídeo com os melhores momentos dele ao som da música "Every Breath You Take", acho que afinal até foi poupadinho nos insultos que me fez. Eu, no lugar dele, teria mandado um envelope com Anthrax e uma foto do Carlos Tevez, só para o caso de o Anthrax não resultar. Mas melhor do que eu descrever a página deste indivíduo, é vocês contemplarem-na com os vossos próprios olhos. Aqui.

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 19:13
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Domingo, 15 de Novembro de 2009
Ontem, a 150km daqui.
Ia fazer stand-up num jantar/convenção de médicos. Em Leiria, às 22h30.
Chegámos antes das 22h, com toda a calma e precaução.
Em cima das 22h30, temos de ser nós a perguntar se é agora. Não é.
Ainda faltava um teatrinho dos senhores doutores, mais uma banda.
Isto repetiu-se três, quatro, cinco vezes. Faltava sempre mais um teatrinho, uma banda qualquer, uma entrega de prémios.
Juntem esta ansiedade/inquietação ao nervoso miudinho habitual de quem vai actuar, e ao cansaço de ter feito 150km de propósito.
Já passava da meia-noite e meia, e ainda não havia perspectivas de poder começar, porque estavam a montar os tripés e as colunas para uma banda filarmónica tocar.
Resultado: recusei-me a actuar e vim-me embora.
Pediram por tudo que não fosse, e ainda se saíram com esta: "Se não houver flexibilidade por parte das artes, este país não anda para a frente".
Meu amigo, se não houver profissionalismo e respeito pelo trabalho dos outros, é que este país não anda para a frente.
Felizmente, tenho muito trabalho e não sou obrigado a aceitar todas as propostas que me aparecem para poder sobreviver, nem estou desesperado para aparecer.
Enfim. Hoje fui aos históricos Pastéis de Belém, e logo a seguir ao histórico McDonald's de Belém, e lá fiquei mais bem disposto.

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 02:52
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Mundo idílico.

Sonhei que a ceia de Natal da minha família, este ano, decorria num restaurante. Chique, por sinal. Os empregados todos de smoking, 10 tipos de talheres em cada lugar, guardanapos de seda, ambiente refinado. Jantar: moelas e pizza. Os meus primos de t-shirt e calças de ganga, eu de fato e gravata. Tudo organizado pela minha prima mais velha, em parceria com as Produções Fictícias (uma combinação absolutamente previsível). Ainda de referir que, a passar o Natal connosco num regime de intercâmbio de ceias de Natal, estava um estudante de erasmus espanhol, cujo nome não me lembro, mas acho que era o Paco. Acho que o meu subconsciente está a tentar enviar-me uma mensagem. "Fritaste a pipoca, Luís". Pois fritei. Entretanto, acordei com um telefonema a avisar que, amanhã, tenho um espectáculo para uma empresa em Leiria. O que quer tudo isto dizer? Não sei. Mas preciso dum café.



publicado por Luís Franco-Bastos às 13:52
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Zézito Pinto de Sousa.
Um dos meus passatempos de eleição é observar membros da classe política, na tentativa de perceber se são, de facto, humanos. É frequente dizerem-me que estou a perder o meu tempo. Ainda assim, gosto de tentar.

José Sócrates assinou o juramento com uma Uniball, a mesma caneta que eu usava na escola. Isto fez-me ver que, como todos nós, também ele andou na escola. Sócrates já foi criança. Já usou um boné para trás, t-shirt às riscas e calções com o joelho rasgado. Aquela caneta mostrou que o Zézito que corria pela Escola Básica da Covilhã ainda vive, algures dentro do José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Está bem enterrado, mas a tentar saltar cá para fora.

Acredito que a Uniball seja apenas um dos muitos instrumentos de revivalismo dos quais José Sócrates gosta de se rodear, e que já terá aplicado neste novo governo. Aposto um Magalhães em como a primeira coisa que o Primeiro-Ministro faz, à chegada a São Bento, é dirigir-se ao porta-bagagens para tirar a sua Eastpak. Com a ajuda do motorista, a quem José Sócrates pediu (sem êxito, como acontecia com todos nós) que o deixasse uns quarteirões antes, para evitar ser visto a chegar acompanhado à escola. À Assembleia, perdão. Onde, depois, analisa cuidadosamente as novas tabelas orçamentais que Teixeira dos Santos desenhou à mão com régua da Molin e lapiseira da Rotring, bem como os gráficos de barras que Vieira da Silva fez em papel milimétrico, sendo que circula de gabinete em gabinete calçando o seu par de Heelys, aqueles maravilhosos ténis com rodinhas.

José Sócrates gosta de correr riscos e não tem medo de se enganar, é para isso que existe o corrector Pritt, presença habitual no estojo do Primeiro-Ministro. Tal como a cola UHU e as canetas fluorescentes, das quais Sócrates não abdica para sublinhar as frases mais importantes de Cavaco Silva que as escutas captaram durante a semana. Nessa tarefa, conta ainda com a ajuda preciosa do pequeno dicionário azul da Porto-Editora. Fundamental para consultar o significado das chamadas “palavras difíceis”. Vindas de Cavaco Silva, costumam ser todas.
 
 
(crónica publicada no Mundo Universitário, a 9 de Novembro de 2009)

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 03:51
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Sábado, 31 de Outubro de 2009
Rigor+Arte=Tempo

 


 
Existem dois tipos de música. A que passa na rádio até nos fazer comichão nos tímpanos e até atinge topos de tabelas, mas daqui a cinco anos poucos se lembram dela (e daqui a dez provavelmente ninguém), e a música como a destes senhores, que se ouve há cinquenta anos e não tem data prevista para deixar de se ouvir. Herman José disse, certa vez, que tudo o que perdura no tempo consegue-o por ter sido feito com rigor e com arte. Nem mais.

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 04:12
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Saramago.

 

 

Por António Jorge Gonçalves. Espreitem o trabalho dele, que vale a pena.

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 22:47
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Dislexia política.
José Sócrates lembra-me um certo tipo de miúdo egoísta e vaidoso, que todos encontrámos na escola. Aquele que chega trazendo um brinquedo novo, com o qual se pavoneia sem o querer partilhar, mas mais tarde se apercebe que a solidão pode não ser assim tão gira. Depois quando quer companhia, são os outros meninos que já não querem brincar com ele. Mas não pense, amigo leitor, que faço esta comparação devido a qualquer espécie de ódio pessoal a José Sócrates. Pelo contrário, eu e o Primeiro-Ministro temos muito em comum. Também ainda não me licenciei, também ainda não consegui escolher entre a esquerda e a direita, e também eu podia perfeitamente ter sido galardoado com o Prémio Sexy Platina do Correio da Manhã. Somos praticamente almas gémeas.

É frequente, e o próprio José Sócrates já o disse, vermos partidos da esquerda mais radical acusarem  os da esquerda mais democrática de não serem, realmente, de esquerda. Terá sido, sem dúvida, para deitar por terra estas maldosas provocações que o Primeiro-Ministro decidiu propôr coligações aos dois maiores partidos da direita. Eu, se fosse um desses esquerdistas radicais de língua afiada, estaria neste momento a enterrar a cabeça, como uma avestruz. Não percebo os que dizem que Sócrates é arrogante ao ponto de não dar razão a ninguém, quando frequentemente o vemos dar razão aos que não gostam dele (que ainda são alguns).

Ver o secretário-geral do maior partido da esquerda a disparar pedidos de coligações aos dois maiores partidos da direita, poucas semanas depois de ter perdido a maioria absoluta, deixa-me a pensar. Acho que ele não está muito preocupado com quem brinca, nem que brincadeiras fará. O que lhe interessa é, apenas, poder continuar a brincar.

Gostaria de lhe deixar um aviso, caso esteja a ler estas linhas. Duvido, já que este é um jornal universitário que sai às segundas e frequentar a universidade nunca foi o forte de José Sócrates a não ser aos domingos, mas tento na mesma. Sei que tem Facebook e queria apenas dizer-lhe, Sr.  Representante-Máximo-do-Governo-Português, que nem vale a pena mandar-me “Coligation Requests”. A minha resposta é não.

 

 

Sobretudo sobre nada II
Crónica publicada no Mundo Universitário no dia 26 de Outubro de 2009.


publicado por Luís Franco-Bastos às 19:52
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
O Solista.
 
 
 Já era fã de Jamie Foxx, e voltei a não ficar desiludido. O talento e o estatuto dum actor completo revelam-se na capacidade de fazer tanto comédia, como drama. Para alguém que foi descoberto a fazer stand-up num comedy club, e daí chegou até encarnar Ray Charles arrecadando um Oscar, esta detalhada interpretação em O Solista já não constitui uma surpresa, mas sim uma confirmação de que ali está um verdadeiro actor, para além dum talentoso stand-up comedian e até cantor. Igualmente notável está Robert Downey Jr., como co-protagonista de uma história real bem retratada, bem adaptada e bem realizada. Gostos não se discutem, há quem não seja apreciador do trabalho de Jamie Foxx, eu sou. Especialmente tendo em conta que a sua formação foi no campo da música, e não nas artes dramáticas. A prova de que ter talento e aprender a fazer fazendo é mais que suficiente.


publicado por Luís Franco-Bastos às 22:20
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Sobretudo sobre nada I

Votar em Campo de Ourique costuma ser mais ou menos o mesmo que ver um documentário sobre geriatria (“ramo da medicina que foca o estudo, a prevenção e o tratamento de doenças e da incapacidade em idades avançadas”, in Wikipedia). Regra geral, a média de idades dos votantes na minha junta de freguesia ronda os 87 anos e meio. E estou a atirar por baixo. Nas últimas europeias, fui o único eleitor da 13ª secção da Escola Básica Manuel da Maia que não precisava de andarilho. De facto, os jovens que votam são muito menos do que deviam e são ainda menos os portugueses, no geral, que votam. A abstenção tem registado valores elevadíssimos em Portugal, sobretudo desde 2002, ano em que o “Pearl Harbor” começou a ser exibido todos os Domingos à tarde na TVI. Somando as três horas do filme às três horas e meia que constituem os intervalos da TVI, vai a tarde toda para o galheiro. Mas não creio que se deva condenar os portugueses pela sua escassa afluência às urnas, quando votar implica perder a oportunidade de ver o mesmo filme pela 26ª vez. Todos os cidadãos têm direito à cultura. Eu, pessoalmente, jamais deixaria de ir votar, não só porque oferece uma série de experiências fascinantes e enriquecedoras (agora nas legislativas pude contemplar as fotos da visita de estudo do 6ºC a Évora enquanto esperava no corredor, o que por si só já tinha valido a deslocação), mas também porque é de decidir o futuro do país que estamos a falar. Bem sei que este segundo factor parece irrelevante quando comparado com o primeiro mas, ainda assim, é digno de ser mencionado. Para mim, deixar de exercer o direito de voto simplesmente não faz sentido, por duas razões: primeiro porque já que lá fomos ver as fotos do 6ºC, não custa nada fazer uma cruzinha, e segundo, porque não gosto do Ben Affleck. Tenho pena que, tanto em relação ao voto, como em relação ao Ben Affleck, não haja mais portugueses a pensar como eu.

 

 

Crónica publicada no Mundo Universitário a 12 de Outubro de 2009.

 



publicado por Luís Franco-Bastos às 01:37
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